Não respondi, não pensei muito na pergunta, na hora. Fingi que ela não tinha sido feita. Segui o resto do dia sem lembrar dela. Conversei sobre assuntos aleatórios. Enchi a cara. Ocupei a minha cabeça com coisas fúteis. Dentro de mim algo latejava. Bebia mais. Meu corpo chacoalhava de frio, na cadeira de plástico. E a mesa em polvorosa discutindo Darwin. Notei que já tinha ido embora. Já não estava ali. Lá dentro tocava Roxanne, que distingui de vozes agudas e embriagadas. Lá dentro, outra hora, tocou New Years Day, que distingui de barulhos de garrafa quebrando. A mesa falava muito. E falava muito alto. Eu não conseguia encostar na cadeira, tinham umas plantas sem propósito logo atrás de mim. De modo que a minha postura era contraída desde o início, fatidicamente cotidiana. Naquele momento eu já estava no limite do não-relaxar, do não-me-interessar. O macho-alfa era tudo que elas queriam. Eu estava cagando pra quem é ou não é pintudo. Na minha cabeça alguma coisa não fazia sentido e eu não sabia o quê. Entrei pra dentro. Me calei. Buscando sentir. Observei ao redor. Uma vez dentro, não há mundo que me busque pra fora. Elas me imploravam pra beber mais da coisa etílica e deixar de ser careta e muda. Eu expliquei que gostava de ficar careta e muda de vez em quando, e que se insistissem muito no mínimo iam ganhar umas 3 horas de silêncio absoluto. Incrivelmente minha presença não importava tanto assim, não era preciso que eu falasse, digamos assim, a bebida faz com que um rádio seja engolido por alguns, essa coisa da mania. Eram duas linhas de conversa na mesa. Tentei acompanhar uma, não consegui. Tentei prestar atenção na outra, impossível. Ambas se tratavam de? Do que tratavam? A onomatoéia para o caso seria o blá blá bla dos adultos dos desenhos animados, eram os assuntos.
Danem-se os assuntos, observando ao redor. Se bem que todas as outras mesas pareciam estar na mesma espécie de diálogo. E eu olhava e via: “Blá blá blá blá blá blá”. Tentei me lembrar se havia ingerido algo que me acometesse a tal surrealismo, mas moça de família que sou lembrei que era impossível, disso eu me lembraria. Atrás de mim, ou seja, atrás da planta que separa o bar da calçada, tinha um cara. Esse cara usava um óculos Ray-Ban, William e Fátima apresentando o Jornal Nacional, e esse cara com o óculos do Tom Cruise em Top Gun, em uma mão segurava uma garrafa, na outra um copo, de vez em quando ele se atrapalhava pra fazer isso tudo e acender um cigarro. E ele ficou em pé todo o tempo, olhando pra dentro do bar. Usava um boné branco virado pra trás, uns cordões de ouro ou lata, e sorria um sorriso excêntrico. Ele me tirava dali e eu estava agradecida pela sua presença lúdica. Meu humor descendo a ladeira. Eu confusa. E tudo virando um mosaico mal-feito. Um mosaico que falava alto. Eu sou sonora. Extremamente sensível aos sons. E já não conseguia mais administrar o que eu escutava. Carros, música, vozes, copos quebrando, vozes, música, buzinas. Meu humor tinha chegado no fim. E me vi só. E não havia mais nada ao redor. E eu senti feito um Alien querendo sair da minha barriga, e eu pensava que isso não era possível, Eu não tenho um Alien na barriga, eu não tenho um alien, eu pensava e ao mesmo tempo ele lá lutando para sair. Me despedi dos Blás. Deixando o dionisíaco para trás. O Alien se acalmou parece que prefere as músicas sacras.
Danem-se os assuntos, observando ao redor. Se bem que todas as outras mesas pareciam estar na mesma espécie de diálogo. E eu olhava e via: “Blá blá blá blá blá blá”. Tentei me lembrar se havia ingerido algo que me acometesse a tal surrealismo, mas moça de família que sou lembrei que era impossível, disso eu me lembraria. Atrás de mim, ou seja, atrás da planta que separa o bar da calçada, tinha um cara. Esse cara usava um óculos Ray-Ban, William e Fátima apresentando o Jornal Nacional, e esse cara com o óculos do Tom Cruise em Top Gun, em uma mão segurava uma garrafa, na outra um copo, de vez em quando ele se atrapalhava pra fazer isso tudo e acender um cigarro. E ele ficou em pé todo o tempo, olhando pra dentro do bar. Usava um boné branco virado pra trás, uns cordões de ouro ou lata, e sorria um sorriso excêntrico. Ele me tirava dali e eu estava agradecida pela sua presença lúdica. Meu humor descendo a ladeira. Eu confusa. E tudo virando um mosaico mal-feito. Um mosaico que falava alto. Eu sou sonora. Extremamente sensível aos sons. E já não conseguia mais administrar o que eu escutava. Carros, música, vozes, copos quebrando, vozes, música, buzinas. Meu humor tinha chegado no fim. E me vi só. E não havia mais nada ao redor. E eu senti feito um Alien querendo sair da minha barriga, e eu pensava que isso não era possível, Eu não tenho um Alien na barriga, eu não tenho um alien, eu pensava e ao mesmo tempo ele lá lutando para sair. Me despedi dos Blás. Deixando o dionisíaco para trás. O Alien se acalmou parece que prefere as músicas sacras.
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