Feito prá acabar


Por Rogério Santos

A maioria das coisas são feitas para acabar. São perecíveis. Existem também outras tantas que percorrem um longo e exuberante caminho até que seja consumado o fim. Sublinhe ou marque isso aqui, mais a frente eu justifico.

Dia desses um amigo meu me questionou:

“ – Cara, as críticas que você escreve estão sempre enaltecendo alguém. Tem ninguém ruim não?!”

Então, acho que tem sim, um deles sou meu mesmo, um grande farsante que engana as pessoas falando e escrevendo sobre música, cinema, artes, etc. Que escreve poemas horríveis e bota no blog para todos lerem. Mas bem verdade, é que comento e “resenho” sobre o que me convém como interessante e primoroso. E que se formem as opiniões.

Assim, destilo esta semana a minha ode a um “tal” de Marcelo Jeneci. Um menino de 28 anos, natural de Guaianases/SP, com nome pouco apropriado para artista, cara e voz prematuras para o tamanho de tua qualidade como tal. Enfim, vou discorrer muito brevemente sobre ele, já que a internet começou a fomentar seu nome incansavelmente, com todos os louvores que lhe concernem. Nas mídias massantes só o vi uma única vez...e num lance de dois segundos. Graças a Deus. Volto a repetir: - Eu morro de medo da mídia!

Pois bem, pode-se dizer que o Marcelo Jeneci deu sinal de vida em 2009, quando uma canção por ele composta em parceria com Vanessa da Mata ganhou as rádios e foi tema de novela, a canção “Amado”. Mas ainda era cedo para dar as caras. Outra parceria bacanérrima nasceu com o bom e velho Arnaldo Antunes, na qual resultou nas melhores de suas composições. Uma delas foi “longe”, gravado primeiro pelo Arnaldo no disco “Iê Iê Iê”. Depois o cantor Leonardo, aquele dos tapas e beijos pegou a canção e fudeu com ela.

Mas foi em parceria com Jose Miguel Wisnik que nasceu a canção “Feito prá Acabar”, que, ouso sentenciar, seria o pilar , o estopim para o seu primeiro CD homômino. Inclusive a música incipia perguntando: “- Quem me diz da estrada que não cabe onde termina?” e mais a frente praticamente responde a si mesma: “- Vai saber se olhando bem no rosto do possível”. O mais interessante é a sensação do corpo e da mente quando se houve a canção. A primeira e ainda recorrente que senti é de caminhar calmamente num longo campo aberto e florido, sentido uma brisa macia e fragrante entranhar os sentidos, e mais a frente assustar-se com uma grande e devastadora tempestade, endossada pela catarse do refrão: “ - A gente é feito pra acabar, A gente é feito pra dizer que sim...”. Não pensei que é ironia minha, mas beira o saudoso Jessé com a sua “Porto Solidão”. Até porque o disco, em todo teu repertório, não propõe uma marca. O Marcelo Jeneci procurou uma harmonia....pode-se dizer polivalente. Por exemplo, a cancão “Quarto de Domir” me remete ao “globe-trotter” Fernando Mendes, “Copo d´agua” tem algo dos titãs iê-iê-iê, “Dar-te-ei” é uma daquelas baladinhas de bailinhos lá dos anos 50 mesclada com algumas gramas de Odair José e Jerry Adriani.

E pro aí seguem estas tantas impressões desse belíssimo trabalho, produzo por ninguém melhor que o Kassin, que já botou na praça trabalhos da Malu Magalhães, Caetano, Los Hermanos e o projeto +2 (Kassin, Domênico e Moreno Veloso). E ainda estava me esquecendo de comentar que aos 17 anos já estava na estrada tocando na banda do Chico César.

Não vou delongar na prosa e pretendo ficar por aqui. Somente voltar lá no comecinho desta resenha e justificar repetindo...

A maioria das coisas são feitas para acabar. São perecíveis. Existem também outras tantas que percorrem um longo e exuberante caminho até que seja consumado o fim.

Este é o Marcelo Jeneci!!!

Forte abraço a todos e mil perdões por mais esse atrevimento!

Rogério Santos

Myspace Marcelo Jeneci - http://www.myspace.com/jeneci

Nenhum comentário:

Postar um comentário