Original foi a Nau.

- Não podemos gravar lá, já tenho uma filmagem com outra equipe lá.

-E daí?

Perguntei pra estranha.

- Aonde mora a originalidade?

E sai pra ir ao banheiro. Poderia ter lhe explicado, o que parecia não entender. Pois o Barthes faz da seguinte forma, em seu livro Crítica e Verdade:

“Essa mensagem original, que é preciso variar para tornar exata, nunca é mais do que o que arde em nós; não há outro significado primeiro da obra literária senão um certo desejo: Escrever é um modo do Eros. Mas esse desejo não tem de início à sua disposição mais do que uma linguagem pobre e banal; a afetividade que existe no fundo de toda a literatura comporta apenas um número reduzido de funções: desejo, sofro, indigno-me, contesto, amo, quero ser amado, tenho medo de morrer, é com isso que se deve fazer literatura infinita. A afetividade é banal, ou, se se quiser, típica, e isso comanda todo o resto da literatura; pois se o desejo de escrever é apenas a constelação de algumas figuras obstinadas, só é deixada ao escritor uma atividade de variação e de combinação: nunca há criadores, apenas combinadores, e a literatura é semelhante à barca Argos: a barca Argos não comportava – em sua longa história – nenhuma criação, apenas combinações; presa a uma função imóvel, cada peça entretanto era infinitamente renovada, sem que o conjunto deixasse de ser a barca Argos.”

Os Argonautas? Em busca do Velocino de Ouro Jasão espalhou o convite para todos os aventureiros grego embarcarem na primeira grande navegação da história, uma Nau construída pelo carpinteiro Argos, logo se viu no comando de um grupo de jovens que mais tarde se transformariam em grandes heróis e semideuses: Hércules, Teseu, Orfeu, Nestor...

E eu diria pra ela:

- Já não podes embarcar em busca do tesouro pois pensas que é importante demais para isso.

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