I still do - Cranberries.
- Fiquei tão confusa com tantas palavras escritas, ditas, declamadas, pró-feridas. Cansada de tanta conversa, tanto entender, essa minha pré-tensão diante da ausência do entendimento. E ai sentei, no meio-fio, que era uma linha de aço que ligava dois arranha-céus do Eisner, esperando que você passasse na rua e não falasse nada, esticasse a porra da mão como sempre faz para que eu olhasse de soslaio e me levantasse sozinha, bamba, aprumando o equilíbrio como sempre fiz, colocasse o headphone no ouvido, acendesse um cigarro e a Shankill Butchers do Decemberists estaria tocando, eu pensaria imediatamente em homícidio, seguido de suicídio, que leva direto para a Ana Cristina, que pulou, por quê, escrevia coisas tão ótimas, olha você vê, a Ana Cristina pulou, cê tá me ouvindo, claro que não é chantagem emocional, tá vendo sua falta de perscipicácia me irrita, só tava dizendo que porra uma pessoa que diz isso: "olho muito tempo o corpo de um poema até perder de vista o que não seja corpo e sentir separada dentre os dentes um filete de sangue nas gengivas." Nem sei, não lembro mais. Esqueci. Nã, na verdade foi que de repente começou a tocar Cranberries e me lembrei, dos meus catorze novamente. Rebeldia de adolescente, né?
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