POR GUSTAVO LIMAEle derramava lágrimas puras, mas seus olhos eróticos faziam da façanha cáustica um dia comum de merda. Merdinha para falar bem a verdade. Verdade sem vergonha para ser bem sincero. Acontece que foi pego de surpresa, no pulo do gato. Ele, gato, em pulo foi pego de salto alto, tão alto que nem suas patas suaves amorteceram a queda, e agora ele chora a falta daquela, que o despreza e nulo projeta o gato mudo. Pensava nela? Talvez, mas hoje não existe passado, nem presente e nem futuro, e pensa nela o dia todo. Para o mundo ele praticou o suicídio, mas enquanto os outros caem em sono profundo ele juntava as peças mágicas do baú de outrora, e cansado do egoísmo ele a leva no bolso esquerdo da camisa, que salta, e salta mais alto que o gato que lambia as suas lágrimas puras. A escrita se resume ao pálido desvanecer-se. Quem diga que é o verso não caiu em desgraça para saber do que fala, e certamente fala em vão já que não vive a paródia da existência humana. Senta e escreve simplesmente. Não há o que comemorar, mas há o que escrever, bestializar, grifar e passadificar bizarramente o burro e inóspito sentido que sobrou das centelhas de uivo que de vez escorrem pelos lábios ao luar. É a corrida da falência social que os corações e mentes suportam em nome de um imaginário ainda mais imaginário que a ilusão, se é que podemos imaginá-lo assim e não o inverso do universo. Os pontos que antes marcavam as coordenadas da rota agora se perdem na gravidade e os mapas já não param na mesa, e flutuando com os recados que ela deixou colados na geladeira vermelha e velha vão desanuviando entre cereais e vergonhas cálidas, solúveis pensamentos destituídos de carinho e substitutos do arpão. Um pescador que nada desejava, virou o lobo que a dias buscava o rumo da neve. Nem London e Dostoiévski poderiam prever que a dita cuja inspiração perderia seu sentido na mesma medida em que seu suor plácido se sexuara com óbvio. Nada como um dia ruim, que pode piorar. E ele vem, à cavalo montado numa nuvem de couro escorregadia que joga todos num chão de pano, curto pano. Escutado era e tudo ficou azul, com sussurros e diagramas bestas que ligavam o nome dela ao meu. No olho eu podia ler “I miss you now”. E o que podia ser pior de fato piorou. Tratou de descolar um tipo, daquele ali do lado jovem idealizado do padrão comunicado. Bichinho faceiro! Agora perambula com o sorriso amarrado na nuca. Nuca mais linda dos mundos ... Dia de merdinhazinhazinha.
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