O Bono.
Bono além de nome de biscoito, e de microfone, é o nome de um dos cantores que marcaram a minha infância. É, infância dos anos oitenta que não teve Xuxa, nem Balão Mágico, nem Trem da Alegria. Vai ver por isso eu sou assim meio esquisita, meio perdida, meio gótica, meio fã do Sting. O Bono, o Mark Knopfler, o Robert Smith e o Morrissey me fizeram dar chutes na professora de piano fã da Rita Lee, pós mutantes. Ela pedia encarecidamente: "Presta atenção na partitura. Chopin está se revirando no túmulo." e eu achando muito róquenrol esse negócio do Chopin se revirar no túmulo. Uau. Que força eu tenho, só porque troquei o ritmo do Noturno?
Eu queria fazer quinze anos e ganhar uma guitarra, não queria ir pra Disney mas fui, não queria festa e não tive, não me confundam. Eu queria uma Fender preta com branca.
Bem antes disso encontrei com a Marina, Lima, no salão onde mamãe corta o cabelo. Eu devia ter uns 8, digamos que fosse o ano da virada 89/90, e ela estava lá, linda, com uma calça preta, uma camisa branca, cool, tinha na minha cabeça: acabado de pular da propaganda do Free, eu sonhava que quando eu crescesse iria fumar Free, questão de bom-senso, lacônico, impactante, quem foi a porra do publicitário que fez essa propaganda, não fumo Free, fumo outro rato, pior, mas bom a Marina estava lá. E criança é foda, bom, pelo menos fui uma, não sei onde encontrei toda a minha timidez atual, eu fazia coisas estranhamente estranhas, principalmente pra minha idade, bom, ela tava lá e eu quis falar com ela. Disse: "Oi, Marina sou sua fã." e ela me perguntou "é mesmo, qual a música que você mais gosta?" Não sei porque ela perguntou isso pra uma criança de 8 anos, e se eu fosse só uma criança de 8 anos que viu uma celebridade, naquela época não era tão banal quanto hoje...
Então fico pensando o que queria a Marina com a pergunta. Até hoje não sei o que eu mais gosto diante das coisas. Mas naquela época, com a boa e ingênua perversão polimorfa infantil, menti, disse: "Vêm chegando o verãoooo..." E cantarolei. Ela respondeu sorrindo: "Mas é mesmo, minha fã." Sim. Não sei onde o autógrafo foi parar. Nem que dia foi que ouvi Marina de verdade, tipo: parei para ouvir a Marina. Sei que um dia eu fiz isso. E foi como vê-la pulando daquela propaganda, foi ouvi-la com aqueles ouvidos. Inclusive no último CD, ótimo, da Adriana Calcanhotto a música que mais gosto é dela, três (só uma pequena ilustração). Bom, essa era a Marina na época da pergunta jocosa.
Eu tinha dito assim pro chefe: "Chefe, tem um livro, o Nuvem Cigana, eu queria falar, sei lá sobre ele, e bom, tem um clipe da Marina, que eu acho irado mas não sei como...cara, bom vou escrever sobre isso hoje."
Chefe, a infância é algo que ...
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e ainda existia a palavra a ser dita no dado momento daquele instante!!
ResponderExcluirA minha infância foi do balão mágico, gal costa e de charles aznavour...ahahhahahaa
ResponderExcluirInfância...
Nossa vc escreve bem msm
ResponderExcluirtdo meio doidinho igual vc
mais mto bom
bjo
Ali
Eu gostava de bono, mas sempre no segundo pacote eu me dava por enjoado. Me sentia nojento, porque pensava "putz. tanta criança não te bono e eu aqui desfazendo". Cresci. Deveria ter dividido o segundo pacote. Por mais que não resolve-se o problema do mundo, talvez aliviasse a consciência, onde residem os problemas mais pertinentes de um filhinho de papai mimado metido a crítico social.
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