
A uns dias atrás, num sábado a noite, eu estava biritando com um amigo na varanda da minha casa e curtindo umas canções não gravadas em CD, da Amy, totalmente acústico. Eu dizia a esse amigo que a Amy estava aqui no mundo prá fazer o que quisesse e como quisesse. Deus a perdoaria de toda e qualquer transgressão. Primeiro: ela não era desse mundo, caiu aqui por que pulou do trem antes de chegar a teu destino, como alguns outros seres iluminados (“ilumencarnados”, como diziam os tropicalistas). Ela estava acima de tudo que convecionamos nessa vida como o certo, até mesmo errado.
Amy era a mais doce mistura de poesia e subversão. Por ela não ser daqui, travou em toda tua fugaz passagem uma guerra íntima com este mundo. Ela não cabia mais aqui. Seres como Amy acham esse mundo muito chato depois de algum tempo e a avidez por um romper com ele foi muito grande. Esses seres descem por aqui no meio da viagem, à revelia d’um onde que lhes fora destinado, e quando se cansam, agonizam e gritam para seguirem teu curso. Como as forças superiores que regem nossa existência não deixam, eles seguem por vontade própria, forçando a barra, geralmente por um suicídio longo e gradual, outras vezes por uma atitude voluntária e certeira.
Amy não era desse mundo! Como Joplin, Jones, Jim, Jimi, Curt, Bonham.
Amy, curiosamente, nasceu filha de judeus amantes do jazz, mais curioso, de nomes Mitchell e Janis, que remetem à Woodstock. Amy imprimiu em teu tempo por aqui sua a divina comédia: “inferno, purgatório e......paraíso”.
É fato que outros seres transgressores cairão por aqui. Eles são necessários prá mostrarem que esse mundo, as vezes, é muito careta. Que melhor viver mil anos em 27, do que vinte e sete em mil.
Tem dias que a vida é um “adjetivo exdrúxulo em ‘u’...onde o cujo faz curva”.
Ninguém lembrou, mas o grande e franzino Noel Rosa, também partiu beirando os 27 anos. Mas essa estória de 27 é só coincidência.
Abraços ternos a todos.
Rogério S.

























