Amy..lumencarnada!!!

A uns dias atrás, num sábado a noite, eu estava biritando com um amigo na varanda da minha casa e curtindo umas canções não gravadas em CD, da Amy, totalmente acústico. Eu dizia a esse amigo que a Amy estava aqui no mundo prá fazer o que quisesse e como quisesse. Deus a perdoaria de toda e qualquer transgressão. Primeiro: ela não era desse mundo, caiu aqui por que pulou do trem antes de chegar a teu destino, como alguns outros seres iluminados (“ilumencarnados”, como diziam os tropicalistas). Ela estava acima de tudo que convecionamos nessa vida como o certo, até mesmo errado.

Amy era a mais doce mistura de poesia e subversão. Por ela não ser daqui, travou em toda tua fugaz passagem uma guerra íntima com este mundo. Ela não cabia mais aqui. Seres como Amy acham esse mundo muito chato depois de algum tempo e a avidez por um romper com ele foi muito grande. Esses seres descem por aqui no meio da viagem, à revelia d’um onde que lhes fora destinado, e quando se cansam, agonizam e gritam para seguirem teu curso. Como as forças superiores que regem nossa existência não deixam, eles seguem por vontade própria, forçando a barra, geralmente por um suicídio longo e gradual, outras vezes por uma atitude voluntária e certeira.

Amy não era desse mundo! Como Joplin, Jones, Jim, Jimi, Curt, Bonham.

Amy, curiosamente, nasceu filha de judeus amantes do jazz, mais curioso, de nomes Mitchell e Janis, que remetem à Woodstock. Amy imprimiu em teu tempo por aqui sua a divina comédia: “inferno, purgatório e......paraíso”.

É fato que outros seres transgressores cairão por aqui. Eles são necessários prá mostrarem que esse mundo, as vezes, é muito careta. Que melhor viver mil anos em 27, do que vinte e sete em mil.

Tem dias que a vida é um “adjetivo exdrúxulo em ‘u’...onde o cujo faz curva”.

Ninguém lembrou, mas o grande e franzino Noel Rosa, também partiu beirando os 27 anos. Mas essa estória de 27 é só coincidência.

Abraços ternos a todos.

Rogério S.

insects and feet

Quando Fico de Pau Duro


Quando fico de pau duro
sinto-me deus,
Não deus como zeus no olimpo
Deus como jesus
Como o homem no garimpo,
ao achar a maior pepita
Como o médico que o cardíaco ressuscita
Sinto-me deus, sinto-me forte
Toda a grandeza de ser de um povo
Sinto-me ovo fecundado
Como um viado ao dar o rabo,
Sinto-me alado, sinto-me sábio
Sinto-me luz cuspida de meus lábios
Sinto a explosão dos teus,
quando me coloco deus
no meio de tuas pernas

Cazé Pecinni

Tudo de Bom Para Todo Mundo



(Michel Melamed)

Pra quem não sabe desenhar gente é uma bola
com dois pontos é um traço assim
e outro assim
e outro assim

queria me dissolver na água
porque mais que tudo
mais que você amor de minha vida
que papai mamãe e Deus
e sexo e dinheiro e chocolate
eu amo a água
as coisas podem acontecer naturalmente

mas, bem,
piada não é exatamente a piada em si, ela em si,
mas quem conta:
tem gente que conta determinada piada e não tem
a menor graça
tem gente que conta a mesma piada e não consegue
nem terminar
sabe como é... acontece muito de me dizerem tchau e eu
ouvir te amo meio italianado (tchau tchau
tchau tchaum tchaum teaum teaumo teaumo
te aumo te amu te amo)

eu aproveito a oportunidade
para renovar
meus protestos de elevada estima e consideração
atenciosamente
existem coisas que acontecem muito
outras só funcionariam todo o dia
mas todo o santo dia mais todo o santo
isto é muito difícil
exemplo:
é impossível 01 (hum) lapso cocacólíco
quando é que alguém diria "... aquele refrigerante... como
é mesmo... aquele preto... ai meu Deus... parecido com a
pepsi..."?
nunca! seria imperdoável
você pode esquecer a luz acesa,
a idade do seu pai, o que era mesmo?
tudo bem é aceitável mas o lapso cocacólico está em extinção
existem coisas que não podem ser magoadas

tem gente que a gente
conhece há um tempão e nada
e tem gente que a gente mal conheceu
e sente como se fosse um tempão
você sabe não é?
o meu negócio é rotular,
destravar no interior
não existem coincidências

existem, sim, N formas
de se dizer a mesma coisa de se dizer a mesma coisa existem formas N
formas de se dizer existem N a mesma coisa
mesma se a coisa N dizer formas de existem
tudo é muito previsível
dia seguinte à eleição?
foto na capa do jornal com candidato sorrindo em cabine
morte do Roberto Carlos?
manchetes tipo 'O TRONO ESTÁ VAGO'
ou 'O REI ESTÁ MORTO, VIVA O REI'
pós-liberação do jogo?
o surgimento de uma 'Nova Las Vegas'
deixe-me em paz,
eu nasci ontem demais

mas não é por isso que ainda não escrevi
a coisa mais bonita que escrevi
até hoje, não é por isso que comunico
com pesar o falecimento da inesquecível
nem é por isso que gosto
de pessoas gentis e pés
(especialmente os de dedos
quase redondos)
instituto médico é legal
dentista é ruim,
tem motorzim motorzim motorzim
que faz bzzzzzzziiiiii

(o problema
não é ter vontade de fazer tantas coisas
e sempre perceber que não se tem o equilíbrio necessário
o problema é estar sempre atrás
ou adiante de si mesmo
e é lógico: os aniversários)

agora, amigo a gente vê
quem é nos momentos difíceis
eu tenho muitos colegas,
um montão de conhecidos
mas amigo? amigo mesmo?

nunca aconteceu de me perguntarem 'oquê?' e eu entender 'ok'

(...)

O blog milionário da maria bethânia bancado pelo Minc

Por Rogério Santos

O maior "minc", digo, mico do mês vêm de onde não podia ter vindo - do Ministério da Cultura "Baiana" - quando, num ápice de generosidade inexorável, preocupadíssima e "incentivadora" com a cultura brasileira, concedeu à cantora betha, betha, bethânia poéticos 1,3 um vírgula três milhões para a criação do seu blog "O mundo precisa de poesia", como incentivo cultural. Betha postará vídeos declamando poesia alheia. Porque Betha não escreve, só interpreta. Ai eu pergunto: A sociedade popular brasileira tem mesmo interesse no que a Betha faz? Óbvio, cada um tem tua tribo, tua elite purista, reduzidíssima e tal, ela também tem. Mas essas leis de incentivo, tanto federais, estaduais ou da iniciativa privada, objetivam sumariamente à agregar e difundir valores culturais à nossa sociedade, sem cunho lucrativo. O "avesso do avesso do avesso" disso vem se contrapondo de forma recorrente dentro do Minc. Dia desses uma cantora que não ouso dizer o nome recebeu R$ 800 mil prá gravar um cd, com fins lucrativos. N'outra ocasião foi uma grana que se comentou muito, para promover um show do Caetano, também com fins lucrativos, com ingressos altíssimos e tal. Enfim, que rumos a Lei Rouanet tá tomando com isso? Até porque projetos desse porte são voltados para uma elite classe média para alta, denominada "intelectualizada".

Por exemplo, temos pelo país afora talentosíssimos poetas, escritores, produtores de teatro e músicos, todos independentes, atrás de incentivo financeiro para produzirem suas obras. Estes fariam a "farra do boi" com essa grana, e no melhor e mais nobre sentido da expressão. Daria prá colocar na praça uns 1000 livros, mais uns 300 cd's, umas 20 peças de teatro....e aí vai. Mas betha, betha é bethânia né?

Bethânia é muito cult. Eu que sou "amigo" de Orcult dela, vou mandar-lhe um scrap sugerindo algumas alternativas mais econômicas para seu blog. Tipo, blogspot, que além de blog, dá direito à email, "orcult", album de fotografia virtual, etc. Pacotão gratuito, não paga nada. Prá quem é intérprete como betha e nunca compôs nada, tá excelente. E libera a grana prá quem realmente tem o que dizer. Ela nunca disse nada. E se o negócio é video, tem o youtube que também é gratuito, e linkado com o blogspot.

Isso Bethânia que é incentivo! O resto é a lesma lerda!!



Outro narigudo, o inquieto Lobão vaiou geral a verba e sugeriu um movimento chamado "DEVOLVE ESSA PORRA BETHANIA!!! já!!!". Aí me lembrei que, alguns não muito distantes anos atrás, Lobão surrou camisa em bancas de jornais com sua "A Vida é Bela". Sem nenhum incentivo do governo, tampouco de gravadora - ele e e ele mesmo. Eu gostaria de frisar...foi uma das melhores safras do Lobão.

Sei não viu....tem algum baiano elitista e influente dentro do Minc. Do contrário, nada se justifica.

Se fôsse para um show dela no litoral de Fukushima... Eu, pelo menos, dava o "mó" incentivo cultural.

Como dizia caê: "maria bethania, please send me a letter"...
e eu finalizo....only one letter, need not be a blog!!!!

e o Tiririca poderia ainda fechar dizendo: "- Pior que tá não pode ficar.... maria abestada!!!!" Aliás, Tiririca não pode mais dizer isso, agora ele é politicamente correto! Mas isto é outra estória.


abraço milionários a todos...se quiserem abandonar o blogspot, Minc tá ajudando!!!! Aproveitem!!!

rogerio santos

DIREITO DE RESPOSTA DO MINC:

Em relação à aprovação do projeto de blog da cantora Maria Bethânia para captação via Lei Rouanet, o Ministério da Cultura informa:

O projeto em questão (Pronac 1012234) foi aprovado pela Comissão Nacional de Incentivo à Cultura (CNIC), que reúne representantes de artistas, empresários, sociedade civil (de todas as regiões do país) e do Estado;

Esta aprovação, que seguiu estritamente a legislação, não garante, apenas autoriza a captação de recursos junto à sociedade;

Os critérios da CNIC são técnicos e jurídicos; assim, rejeitar um proponente pelo fato de ser famoso, ou não, configuraria óbvia e insustentável discriminação;

Todas as reuniões deliberativas da CNIC têm transmissão em áudio em tempo real pelo site do MinC (www.cultura.gov.br), acessível a qualquer cidadão.

Leia na íntegra a justificativa do MinC feita em seu site oficial

Feito prá acabar


Por Rogério Santos

A maioria das coisas são feitas para acabar. São perecíveis. Existem também outras tantas que percorrem um longo e exuberante caminho até que seja consumado o fim. Sublinhe ou marque isso aqui, mais a frente eu justifico.

Dia desses um amigo meu me questionou:

“ – Cara, as críticas que você escreve estão sempre enaltecendo alguém. Tem ninguém ruim não?!”

Então, acho que tem sim, um deles sou meu mesmo, um grande farsante que engana as pessoas falando e escrevendo sobre música, cinema, artes, etc. Que escreve poemas horríveis e bota no blog para todos lerem. Mas bem verdade, é que comento e “resenho” sobre o que me convém como interessante e primoroso. E que se formem as opiniões.

Assim, destilo esta semana a minha ode a um “tal” de Marcelo Jeneci. Um menino de 28 anos, natural de Guaianases/SP, com nome pouco apropriado para artista, cara e voz prematuras para o tamanho de tua qualidade como tal. Enfim, vou discorrer muito brevemente sobre ele, já que a internet começou a fomentar seu nome incansavelmente, com todos os louvores que lhe concernem. Nas mídias massantes só o vi uma única vez...e num lance de dois segundos. Graças a Deus. Volto a repetir: - Eu morro de medo da mídia!

Pois bem, pode-se dizer que o Marcelo Jeneci deu sinal de vida em 2009, quando uma canção por ele composta em parceria com Vanessa da Mata ganhou as rádios e foi tema de novela, a canção “Amado”. Mas ainda era cedo para dar as caras. Outra parceria bacanérrima nasceu com o bom e velho Arnaldo Antunes, na qual resultou nas melhores de suas composições. Uma delas foi “longe”, gravado primeiro pelo Arnaldo no disco “Iê Iê Iê”. Depois o cantor Leonardo, aquele dos tapas e beijos pegou a canção e fudeu com ela.

Mas foi em parceria com Jose Miguel Wisnik que nasceu a canção “Feito prá Acabar”, que, ouso sentenciar, seria o pilar , o estopim para o seu primeiro CD homômino. Inclusive a música incipia perguntando: “- Quem me diz da estrada que não cabe onde termina?” e mais a frente praticamente responde a si mesma: “- Vai saber se olhando bem no rosto do possível”. O mais interessante é a sensação do corpo e da mente quando se houve a canção. A primeira e ainda recorrente que senti é de caminhar calmamente num longo campo aberto e florido, sentido uma brisa macia e fragrante entranhar os sentidos, e mais a frente assustar-se com uma grande e devastadora tempestade, endossada pela catarse do refrão: “ - A gente é feito pra acabar, A gente é feito pra dizer que sim...”. Não pensei que é ironia minha, mas beira o saudoso Jessé com a sua “Porto Solidão”. Até porque o disco, em todo teu repertório, não propõe uma marca. O Marcelo Jeneci procurou uma harmonia....pode-se dizer polivalente. Por exemplo, a cancão “Quarto de Domir” me remete ao “globe-trotter” Fernando Mendes, “Copo d´agua” tem algo dos titãs iê-iê-iê, “Dar-te-ei” é uma daquelas baladinhas de bailinhos lá dos anos 50 mesclada com algumas gramas de Odair José e Jerry Adriani.

E pro aí seguem estas tantas impressões desse belíssimo trabalho, produzo por ninguém melhor que o Kassin, que já botou na praça trabalhos da Malu Magalhães, Caetano, Los Hermanos e o projeto +2 (Kassin, Domênico e Moreno Veloso). E ainda estava me esquecendo de comentar que aos 17 anos já estava na estrada tocando na banda do Chico César.

Não vou delongar na prosa e pretendo ficar por aqui. Somente voltar lá no comecinho desta resenha e justificar repetindo...

A maioria das coisas são feitas para acabar. São perecíveis. Existem também outras tantas que percorrem um longo e exuberante caminho até que seja consumado o fim.

Este é o Marcelo Jeneci!!!

Forte abraço a todos e mil perdões por mais esse atrevimento!

Rogério Santos

Myspace Marcelo Jeneci - http://www.myspace.com/jeneci

Farofamundo no "NJPE"

O Farofamundo acaba de inaugurar coluna no jornal NJ online "Nosso Jornal", portal de notícias do estado do Pernambuco. Visite:


Os irmãos Zapalá (Eu morro de medo da mídia)

Por Rogério Santos

O folk americano surgiu na década de 60 e trazia uma combinação de música folclórica com rock. O grande representante desse estilo musical é, sem dúvida, Robert Allen Zimmerman, vulgo Bob Dylan. Inclusive escolhido pela Revista Rolling Stone em 2004, como o 2º melhor artista de todos os tempos, e uma de suas canções, “Like a Rolling Stone”, a primeira melhor. De todo modo, o percursor do folk foi o lendário Woodie Guthrie, um nova-iorquino falecido em 67. Mas esta é uma outra estória.


O folk influenciou muita gente por esse mundo afora. Além de Bob Dylan seguem na fila Cat Stevens, Van Morrison, Joni Mitchell, Nick Drake, Leonard Cohen, Neil Young e aqui no Brasil temos o Humberto Gessinger (Engenheiros do Hawai), descaradamente discípulo desse gênero.


Já por aqui, nos tenros anos 70, nasceu um outro gênero musical resultante do que foi tenramente importado do folk americano: O rock rural, que ainda incorporava influências country anglo-saxônicos ao estilo da toada lusitana, com uma linguagem poética que se refere aos temas do campo, resultando numa musicalidade com ritmo de balada pop.


Criado pelo trio Sá, Rodrix e Guarabyra, com o tempo o rock rural começou a fazer seguidores, como Som Imaginário, Secos e Molhados, O Terço, Ave Sangria, Amelinha, Hildon, Ednardo, Zé Ramalho e, mais, adiante o Zé Geraldo.


Muito bem, quando ouvi pela vez os irmãos “sertanejos” Vítor e Léo eu fiquei curioso. Havia algo estranho na toada deles. Ia além do “sertanejo” ou não tinha nada a ver com ele. Depois descobri que essa impressão não era somente minha. Há algo neles que vai muito além desse mundo em reconstrução chamado sertanejo. A melodia, o arranjo, os acordes da guitarra ou violão (as vezes longos), enfim, o som é diferente das vias expressas construídas por esse universo chamado sertanejo. Vieram pelo mesmo caminho, mas ali pelas marginais. Tem um “quê” de cult, que não remete a nada do que ouvi até hoje do sertanejo. Mas sim do folk americano e do rock rural brasileiro.


Por outro lado tem um algo mais importante:


Os irmãos Zapalá Pimentel (vulgos Vítor e Léo), naturais de um confim remoto mineiro chamado Abre Campo, são muito mais eles mesmos, especialmente quando falam, porque tem opiniões centradas, maduras e ponderadas acerca de tudo que discorrem. Estão longe do glamour bobo e ideológico dos outros sertanejos. Eles são caipiras sofisticados e beira o “cult’.


São de um felling invejável. E hoje estão mais próximos do Almir Sater, Renato Teixeira, Zé Rodrix, Hildon, Raimundo Sodré, Amelinha. Canções como “Eu e Deus no Sertão”, “Vida boa” ratificam isso. Ou, se conseguirem sobreviver às ditaduras da mídia e da gravadora podem fazer o teu próprio movimento e trazerem outros consigo, mesmo que dissidentes. O país carece disto, de reinvenções. Até porque esses meninos soam universal, mas com tuas próprias convenções.


Vítor e Léo chegaram no continental mercado fonográfico brasileiro sem nenhuma pretensão aparente. Como quem chega distinto, deslocado e em silêncio numa grande festa e no fim da noite, já no finzinho, pega a viola e toca alguma coisa prá relaxar a euforia de todo mundo. A partir daí, a turma se deleita, se apaixona e os convida para festas futuras, mesmo que não sejam da mesma corrente. Ao contrário, eles são uma reinvenção, uma transformação do folk/rock rural brasileiro à beira do pop que os rodeia, e não essa coisa barulhenta que virou o sertanejo contemporâneo. Eles, os irmãos Zapalá, subvertem uma mesmice preguiçosa que jaz na música brasileira e, importante - resgatam lá do passado o sonho caipira e libertário que era o folk/rock rural, mesmo que estejam engajados na corrente errada, esse tal sertanejo. Eles são o nirvana mais brando, mais calmo, o “tao” campestre. E eu morro de medo que a mídia destrua tudo isso.


E, parafrasendo o Caetano (da canção “Ele me deu um beijo na boca”) eu finalizo esse ensaio crítico dizendo:


E a “mídia” que não toque na poesia!!!...porque eu morro de medo da mídia!

caldo de piaba

Caldo de Piaba lança segundo EP, com quatro faixas, com exclusividade no Nagulha

Volume Dois do Caldo de Piaba traz até versão para sucesso do brega da Djavu!

O Caldo de Piaba é prova viva da descentralização da música hoje no Brasil. A banda não precisou mudar sua base de operações, o Acre, para conseguir estar presente na programação de vários festivais e circuitos de shows em todo o país. Instrumental que vai do Carimbó as guitarradas do Pará, eles não deixam a mistura engrossar demais quando se trata de divulgar a cultura da própria terra. Por onde passam, também tocam versões para antigas canções do Acre e, a cada, show, aumentam a coleção de queixos caindo no público. Mas só os daqueles que não param um segundo de dançar.

A banda lançou agora o segundo EP, batizado de “Volume Dois” com mais quatro faixas novas. Ainda esse ano eles prometem reunir material mais encorpado para lançar o primeiro disco, que deve sair pelo selo Fora do Eixo Discos. Aliás, falando em Fora do Eixo, quem estiver em São Paulo no começo de abril terá chance de ver o Caldo ao vivo, eles tocam na programação do festival que os coletivos promovem por lá. Quem não pode viajar, fica o comentário faixa a faixa que o baterista Di Deus fez do novo trabalho. E, logo abaixo, claro, um link para download:

  • Moliendo Cafe é uma música da década de 1950, do venezuelando Hugo Blanco, que teve centenas de versões pelo mundo. De Julio Iglesias a uns japoneses doidos, muita gente já gravou esse tema, em versões cantadas e instrumentais. A versão que nos inspirou é de Poly e seu Conjunto, instrumental dos anos 1970. É um tema clássico, que o povo aqui no Acre já dançou muito…
  • People One, a segunda música, a gente chamava de Plé Plé Hum, uma brincadeira com o som marcante da guitarra. Um tema funkeado que vira uma versão dum Afrossamba do Baden Powell e volta pro tema inicial.
  • Sborba é o nome que demos pra esse bolerinho inspirado no som d’ Os Incríveis. É também o nome de um clube de 61 anos, reformado agora pelo governo do acre, que é um verdadeiro templo dos bailes.

Fecha o Volume Dois a que chamamos de Dexavi (o que pensa), nossa versão DubBrega do maior sucesso do Dejavu.

Elisa Lucinda

Tem dois longos dias que tenho andado com a poeta Elisa Lucinda no meu banco de passageiro. Eu dirigindo estrada afora (casa trabalho x trabalho casa) e ela ali, do meu lado, recitando teus poemas. Ela rindo, chorando, sarcástica, desbundada, abocetada, emputecida, encantada. Ali, no meu banco de passageiro, rangando a BR comigo de manhã e de noite, e eu de pau duro pela poesia dela, ejaculando os versos dela. E ela...olhando para mim ainda mais incitada a prosseguir...pegando na minha perna, confundindo-se à marcha. quase não passo a quinta...minhas pernas vacilam e meus ouvidos sentem tesão. Oh! Elisa, tão Lucinda, tão tentação!!!

rogerio s.

Texto para uma separação

Olhe aqui, olhos de azeviche
Vamos acertar as contas
porque é no dia de hoje
que cê vai embora daqui...
Mas antes, por obséquio:
Quer me devolver o equilíbrio?
Quer me dizer por que cê sumiu?
Quer me devolver o sono meu doril?
Quer se tocar e botar meu marcapasso pra consertar?
Quer me deixar na minha?
Quer tirar a mão de dentro da minha calcinha?
Olhe aqui, olhos de azeviche:
Quer parar de torcer pro meu fim
dentro do meu próprio estádio?
Quer parar de saxdoer no meu próprio rádio?
Vem cá, não vai sair assim...
Antes, quer ter a delicadeza de colar meu espelho?
Assim: agora fica de joelhos
e comece a cuspir todos os meus beijos.
Isso. Agora recolhe!
Engole a farta coreografia destas línguas
Varre com a língua esses anseios
Não haverá mais filho
pulsações e instintos animais.
Hoje eu me suicido ingerindo
sete caixas de anticoncepcionais.
Trata-se de um despejo
Dedetize essa chateação que a gente chamou de desejo.
Pronto: última revista
Leve também essa bobagem
que você chamou
de amor à primeira vista.
Olhos de azeviche, vem cá:
Apague esse gosto de pescoço da minha boca!
E leve esses presentes que você me deu:
essa cara de pau, essa textura de verniz.
Tire também esse sentimento de penetração
esse modo com que você me quis
esses ensaios de idas e voltas
essa esfregação
esse bob wilson erotizado
que a gente chamou de tesão.
Pronto. Olhos de azeviche, pode partir!
Estou calma. Quero ficar sozinha
eu co'a minha alma. Agora pode ir.
Gente! Cadê minha alma que estava aqui?

No momento não estou

Olhando a cara dos dias,
vejo como é sórdida tua secretária eletrônica:
Ela mente pra mim na mesma tônica: doublé de seu medo...
Vou te contar um segredo:
Eles venceram.
Venceu a mesquinharia, a pequeneza, a teoria rasa, a safadeza...
No meio da luta,
você preferiu ser o nêgo filho da puta da história que escreveram pra você encenar,
da promessa que fizeram pra você cumprir,
pra você pagar.
Essa noite, sua covardia repete o açoite:
aceita a mesma escravidão pra te enganar.
Ai, como é mórbida tua secretária eletrônica,
roubou meu batom e no mesmo tom me diz que você não está.
Como uma armadilha de sonora trilha,
pede um recado após o sinal...Não dou!
Antes disso terá um longo curto-circuito entre as pernas,
essa tua secretária calhorda, essa tua secretária moderna,
tão sonsa, tão palerma. Ligada por ti pra te sacanear!
Acionada por ti pra te carear os dentes da alma
e depois te pede pra sorrir pra sua própria demência.
Uma ridícula dona de casa chamada Ausência!

Elisa Lucinda
(Nascida orgulhosamente em Vitória, Espírito Santo; 2 de fevereiro de 1958) poeta, escritora, jornalista e atriz brasileira.

Moska - Muito & Pouco (2010)

Depois de treze anos e seis discos como contratado de uma gravadora multinacional, (Paulinho) Moska se tornou um artista independente em 2004, quando seu disco “Tudo Novo de Novo” foi lançado pelo seu próprio selo, o Casulo. A partir desse momento Moska se diversificou em atividades aparentemente distintas, mas que em sua obra vêm se misturando e se completando, nos levando a mergulhar no universo poético que ele nos propõe com suas inspiradas canções e fotografias.
Seja na instigante série de autoretratos em objetos espelhados nos banheiros de hotéis que ilustravam o encarte do disco anterior, ou nos encontros com os compositores brasileiros na sua série de TV e rádio “ZOOMBIDO” ou ainda, nas exposições fotográficas que passou a fazer a partir desses trabalhos, o olhar de Moska vem se manifestando com beleza e diversidade, destacando-o no cenário brasileiro como um artista “multifacetado”.
Desde 2004 Moska não lança um disco de estúdio. Em 2007 o DVD “Mais Novo de Novo” trouxe, além do show ao vivo, uma espécie de filme/documentário/ficção que contava um pouco sobre o processo criativo das canções inspiradas nos tais autoretratos nos banheiros.
chama MUITO POUCO. São dois discos (MUITO e POUCO) com nove canções cada um. Antes de escutá-los, vale à pena dar uma conferida no encarte porque mais uma vez as linguagens estão amalgamadas…jogos de palavras e imagens expressivas se compõem para se tornarem também uma espécie de “cinema”. Musicalmente, MUITO POUCO é um projeto de belas canções, com melodias que grudam nos ouvidos, tocadas e cantadas com uma rara honestidade.
MUITO é um disco mais cheio, com bateria em todas as faixas, som de banda tocando… mas longe de ser pesado. As letras são mais “ativas” ou “extrovertidas”, como na canção já gravada por Maria Rita que dá nome ao projeto (Muito pra mim é tão pouco / e pouco é um pouco demais / Viver tá me deixando louco / não sei mais do que sou capaz / Gritando pra não ficar rouco / em guerra lutando por paz / Muito pra mim é tão pouco / e pouco eu não quero mais). Nesse “lado A” de MUITO POUCO escutamos vozes e arranjos mais viscerais, mas há também espaço para baladas: “Ainda” (gravada com os músicos do Bajofondo Tango Club, grupo argentino/uruguayo de tango eletrônico que brilha também no instrumental da canção “Muito Pouco”) e “Quantas Vidas Você Tem?”, que foi trilha da novela “A Favorita” da Rede Globo. Já “Soneto do Teu Corpo”, parceria de Moska e Leoni gravada por Mart’nália e também por Leoni ganha agora uma versão mais vigorosa, com direito a “scratch” feito pelo uruguayo Luciano Supervielle. Como curiosidade, o disco MUITO começa com uma vibrante canção sessentista chamada “Devagar, divagar ou de vagar?” (E se ainda não cheguei / é porque gosto de parar / em cada esquina / devagar / pelo caminho que me leva / até você me encontrar) e termina com outra chamada “Antes de Começar”. O MUITO começa devagar e termina antes de começar. Poesia?
POUCO é um disco mais vazio, sem bateria (às vezes com alguma percussão), som de casa… mais leve. As letras são mais “passivas” ou “introvertidas”, como na belíssima canção já gravada por Maria Bethania “Saudade”, parceria de Moska e Chico Cesar - que canta e toca com ele no disco - acompanhados do delicado acordeon de Cezinha Silveira (Saudade / A lua brilha na lagoa / Saudade / A luz que sobra da pessoa / Saudade igual farol / Engana o mar / imita o sol / Saudade / Sal e dor que o vento traz). Nesse “Lado B” de MUITO POUCO escutamos vozes e arranjos mais intimistas, mas também há espaço para o vigor de “Sinto Encanto”, parceria de Moska e Zelia Duncan já gravada por ZD e que traz Maria Gadú no côro de vozes. Zelia é coautora de mais duas faixas: “Não” (em que escutamos o delicioso vibrafone jazzy de Arthur Dutra) e “O Tom do Amor”. A voz de Gadú aparece também em “Oh, My Love, My Love”, canção em inglês do argentino/ americano Kevin Johansen, que canta e toca violão nessa mesma canção e na solar “Waiting for the Sun to Shine”, parceria tri-língue (português, espanhol e inglês) dele com Moska. Outra participação especialíssima é a do compositor e multinstrumentista argentino Pedro Aznar (ex-integrante da lendária banda de rock “Serú Girán” com Charlie Garcia e do “PatMetheny Group”) tocando baixo e piano no blues “Provavelmente Você” e cantando e tocando violão barítono em “Nuvem”, versão de Moska para a etérea “Nube”, do chileno Nano Stern. Como curiosidade, o POUCO começa com uma canção minimalista chamada “Semicoisas”, em que escutamos um “piano-toy” de criança anunciando a leveza do segundo disco (Nas semicoisas das coisas / Outras versões da verdade / Do outro lado do espelho/ Outro dobro metade) e termina com a já citada “Saudade”.
Em resumo, em MUITO POUCO temos em mãos muitas vozes e muitos violões de Moska acompanhados de seus convidados executando suas singulares canções. Ao fim da audição ficamos com a sensação de que o MUITO é um pouco mais e o POUCO é muito menos. Entre um e outro está o fio em que Moska se equilibra. E nos oferece, num lindo salto mortal, sua arte vital.

Faixas:

MUITO

01 DEVAGAR, DIVAGAR OU DE VAGAR?
02 MUITO POUCO
03 DEVE SER O AMOR
04 CANÇÃO PRISÃO
5 SONETO DO TEU CORPO
06 AINDA
07 PÊNDULO
08 QUANTAS VIDAS VOCÊ TEM?
09 ANTES DE COMEÇAR

POUCO

01 SEMICOISAS
02 O TOM DO AMOR
3 SINTO ENCANTO
Intérprete: Moska / Maria Gadu
04 NUVEM
Intérprete: Moska / Pedro Aznar
05 WAITING FOR THE SUN TO SHINE
Intérprete: Moska / Kevin Johansen
06 PROVAVELMENTE VOCÊ
07 OH MY LOVE, MY LOVE
Intérprete: Moska / Kevin Johansen / Maria Gadu
08 NÃO
09 SAUDADE
Intérprete: Moska / Chico Cesar

Fonte: www.elomusical.blogspot.com/

Samba da Bênção

É melhor ser alegre que ser triste
Alegria é a melhor coisa que existe
É assim como a luz no coração

Mas pra fazer um samba com beleza
É preciso um bocado de tristeza
É preciso um bocado de tristeza
Senão, não se faz um samba não

"Senão é como amar uma mulher só linda. E daí? Uma mulher tem que ter qualquer coisa além da beleza, qualquer coisa de triste, qualquer coisa que chora, qualquer coisa que sente saudade. Um molejo de amor machucado, uma beleza que vem da tristeza de se saber mulher, feita apenas para amar, para sofrer pelo seu amor e para ser só perdão."

Fazer samba não é contar piada
E quem faz samba assim não é de nada
O bom samba é uma forma de oração

Porque o samba é a tristeza que balança
E a tristeza tem sempre uma esperança
A tristeza tem sempre uma esperança
De um dia não ser mais triste não

"Feita essa gente que anda por aí brincando com a vida. Cuidado companheiro! A vida é pra valer. E não se engane não, tem uma só. Duas mesmo, que é bom, ninguém vai me dizer que tem sem provar muio bem provado, com certidão passada em cartório do Céu e assinado embaixo 'Deus', e com firma reconhecida! A vida não é de brincadeira amigo. A vida é arte dos encontros, embora haja tanto desencontros pela vida. Há sempre uma mulher a sua espera com os olhos cheios de carinho e as mãos cheias de perdão. Ponha um pouco de amor na sua vida como no seu samba."

Ponha um pouco de amor numa cadência
E vai ver que ninguém no mundo vence
A beleza que tem um samba, não

Porque o samba nasceu lá na Bahia
E se hoje ele é branco na poesia
Se hoje ele é branco na poesia
Ele é negro demais no coração

"Eu, por exemplo, o capitão-do-mato Vinícius de Moraes, poeta e diplomata. O branco mais preto do Brasil, na linha direta de xangô. Saravá! A bênção Senhora, a maior ielo-orixá da Bahia, terra de Caíbe e João Gilberto. A benção Pixinguinha, tu que choraste na flauta todas as minha mágoas de amor. A benção Senhor. A benção Cartola. A benção Esmael Silva. Sua benção e todos prazeres. A benção Nelson Cavaquinho. A benção Geraldo Pereira. A benção meu bom Cílio Monteiro você, sobrinho de Nonô. A benção Noel. Sua benção Ari. A benção todos os grandes sambistas do meu Brasil branco, preto, mulato, lindo como a pele macia de oxô. A benção maestro Antônio Carlos Jobim, parceiro e amigo querido que já viajaste tantas canções comigo e ainda há tantas a viajar. A benção Carlinhos Guira, parceirinho 100%, você que une a ação ao sentimento e ao pensamento. Benção! A benção Baden-Powell, amigo novo, parceiro novo que fizeste este samba comigo. A benção amigo! A benção ao maestro Moacir Santos, que não é um só és tantos, tantos como o meu Brasil de todos os santos, inclusive o meu São Sebastião. Saralá! A benção que eu vou partir, eu vou ter que dizer adeus."

Ponha um pouco de amor numa cadência
E vai ver que ninguém no mundo vence
A beleza que tem um samba, não

Porque o samba nasceu lá na Bahia
E se hoje ele é branco na poesia
Se hoje ele é branco na poesia
Ele é negro demais no coração

Robert Plant e Jimmy Page - No Quarter


Este projeto foi realizado pelo guitarrista Jimmy Page e vocalista Robert Plant.
Localização e segmentos filmado em Marrakesh, Marrocos e Snowdonia, País de Gales, o estúdio porções gravadas no London Weekend Television Studios, em Londres. O concerto mistura rock, clássica, folk, e uma variedade de Africano e do Médio Oriente e instrumentos musicais em abranger várias versões do Led Zeppelin." Ela também dispõe de duas novas peças, "Wah Wah" e "Yallah."estas duas foram estreada na MTV em 12 de outubro de 1994. Vocalista Robert Plant e o guitarrista Jimmy Page são sem sombra de dúvida dois dos mais famosos talentos no rock n roll. Fazendo sua fama como dois dos quatro membros do lendário grupo de rock Led Zeppelin - e certamente o mais visível - Page e Plant passou a bem sucedida carreira solo. Em 1994, catorze anos após a dissolução do Zeppelin, os dois grandes gigantes do rock colaboraram para escrever algumas canções e executar sobre este maravilhoso vídeo em Marrocos e com Orquesta, (UNLEDDED.) Em ambos os instrumentos acústicos e eléctricos, incluindo um mandolin e um banjo, os dois com apoio de uma banda a executar estas dezessete faixas.

omelete cultural, últimos dias

foto: Tatiane Mancebo
Integrantes da edição 2010 do Omelete Marginal
Integrantes da edição 2010 do Omelete Marginal

Passada a primeira semana de eventos, o Omelete Cultural retoma as atividades nesta quarta (30) e quinta (01º), durante todo o dia, na Estação Porto. O público poderá conferir mais shows, oficinas, exibição de vídeos e palestras que estão inseridas na programação do Mostras Omelete.

Confira os destaques do canal Divirta-se

O convidado para esta segunda semana será o músico e ativista social Marcelo Yuka, que participa de um bate-papo com a temática "O Jovem Protagonista", onde abordará como a web 2.0 e as novas mídias atuam na produção e divulgação de conteúdos feitos pelos jovens. A palestra acontece nesta quinta-feira, às 18h, na Estação Porto.

Oficinas serão oferecidas para alunos da rede municipal de Vitória durante os dois dias de evento. As temáticas serão Web Rádio, Web Vídeo, Redes Sociais e Gestão Artística na Web.

Na quinta, também acontece um grande show com integrantes do Coletivo Omelete. Artistas de diversas bandas capixabas se unem para uma apresentação especial. Entre os músicos estão Gustavo Macaco, Mozine (Mukeka di Rato), Tati Wuo, Amaro Lima, banda Velho Scoth, Marcelo Kjú (Dallas Country), Amélia Barreto e Alexandre Lima.

Na quarta-feira, bandas novas terão espaço e nesta semana a aposta é a Números Primos, de Cariacica. No ano passado, o Mostras Omelete percorreu o estado e deu espaço a muitos músicos jovens. As bandas revelações da edição passada, Mari Blue Anna e Ilmo, tocarão na Estação Porto.

Outras manifestações artísticas também fazem parte das Mostras Omelete 2010. Na quinta, serão exibidos o curta "Estranha Obsessão" de Felipe Damasceno e três curtas da produtora Mirabólica.

O Omelete Cultural promete novidades para a edição 2010. Depois do sucesso das duas primeiras edições, o evento vai englobar diversos projetos artísticos e sociais. A idéia é fazer do Omelete um guarda-chuva para unir artistas e agitadores culturais que estejam em atividade no Espírito Santo.

O projeto, que nasceu na web em 2008, se estende até o final do ano com outros módulos. Além das "Mostras Culturais", o Omelete realizará o festival de música e a premiação no final do ano, além de desenvolver ações que promoverão o intercâmbio artístico em âmbito nacional.

Fonte: Gazeta Online ( Thiago Hermínio)

Torquato Neto

eu queria, cheio de pretensões e ingenuidade ser um torquato neto, mas o que talvez sobrasse como réstia prá mim ou para qualquer outra pessoa não sobrou, deus deu prá torquato neto. um dos poetas mais musicado por cantores brasileiros, juntamente com leminski e vinícius de moraes. o prematuro torquanto.

abaixo, dois poemas desse poeta primoroso...

ai de mim copacabana

um dia depois do outro

numa casa abandonada
numa avenida
pelas três da madrugada
num barco sem vela aberta
nesse mar
nem mar sem rumo certo
longe de ti
ou bem perto
é indiferente, meu bem

um dia depois do outro

ao teu lado ou sem ninguém
no mês que vem
neste país que me engana
ai de mim, copacabana
ai de mim: quero
voar no concorde
tomar o vento de assalto
numa viagem num salto
(você olha nos meus olhos
e não vê nada -
é assim mesmo
que eu quero ser olhado).

um dia depois do outro

talves no ano passado
é indiferente
minha vida tua vida
meu sonho desesperado
nossos filhos nosso fusca
nossa butique na augusta
o ford galaxie, o medo
de não ter um ford galaxie
o táxi, o bonde a rua
meu amor, é indiferente

minha mãe, teu pai a lua

nesse país que me engana
ai de mim, copacabana
ai de mim, copacabana
ai de mim, copacabana
ai de mim.

musicada por Caetano Veloso


em "Os Últimos Dias de Paupéria"
Org. Wally Salomão e Ana Maria S. de Araújo Duarte
Ed. Max Limonad, 1982

POETA MARGINAL? EU, HEIN?

Encontrei esse texto n'algum desses sites q vasculho e achei de uma puta originalidade...não queira saber quem escreveu pq o autor (me parece autora), não quis assumi-lo tb. Talvez seja de Laís Corrêa de Araújo, esposa do poeta Affonso Ávila. O decorrrer do texto denuncia, mas não tenho certeza.

não nasci em montes claros. não tenho nome completo. não sou professor. não consegui conciliar nada com a literatura. nunca publiquei nada. atualmente não resido em porto alegre. não me chamo eduardo veiga. não escrevo poesia há mais de 15 anos. não estou organizando meu primeiro livro. não sou graduado em letras. não acredito que a poesia seja necessária. não estou concluindo nenhum curso de pedagogia. não colaboro em nenhum suplemento literário. não estou presente em todos os movimentos culturais da minha terra. não sou membro da academia goiana de letras. não trabalho como assessor cultural da sec. meus pais não foram ligados ao cinema. não tenho tema preferido. não comecei a fazer teatro aos 12 anos. não me especializei em literatura hispano-americana. não tenho crônicas publicadas n’o republica de lisboa. não passei minha infância em pindamonhangaba. não canto a esperança. não recebi nenhuma premiação em concurso de prosa e poesia. não tenho sete livros inéditos. não sou considerado um dos maiores poetas brasileiros. nunca fui convidado para dar palestras em universidades. não vejo poesia em tudo. não faço parte do grupo noigrandes. não me interesso por literatura infantil. não sou casado com o poeta afonso ávila. na minha estréia não recebi o prêmio estadual de poesia. o crítico josé batista nunca disse nada a meu respeito. não sofri influência de bilac. não sou ativo, nem dinâmico. não me dedico com afinco à pecuária. não sou portador de vasto curriculum. não recebi mensão honrosa no concurso de poesia ferreira gullar. não exerço nenhuma atividade docente, nem decente. não iniciei minha carreira literária no exército. não fui a primeira mulher eleita para a academia acreana de letras. não tenho poesias traduzidas para o francês. não estou incluído numa antologia a ser publicada no méxico. minha poesia não é corajosa. não gosto de arqueologia. walmir ayalla nunca me considerou um revolucionário. nunca tentei compreender o homem na sua totalidade. não vim para o brasil com 5 anos de idade. não aprendi russo para ler maiakowski. meu pai não é chileno. não sou virgem, sou capricórnio. não sou mãe de seis filhos. nunca escrevi contos. não me responsabilizo pelos poemas que assino. não sou irônico. não considero drummond o maior poeta da língua portuguesa. não gosto de andar de bicicleta. não sou chato. não sei em que ano aconteceu a semana de 22. não imito ninguém. não gosto de rock. não sou primo dos irmãos campos. não sou nem quero ser crítico literário. nunca me elogiaram. nunca me acusaram de plágio. não te amo mais. minha poesia nunca veiculou nada. não sei o que vocês querem de mim. não espero publicar nenhum romance. não sou lírico. não tenho fogo. não escrevi isto que vocês estão lendo.

programa musikaos - tve 2000 a 2003

O KAOS FOI NECESSÁRIO

Saudades ternas do extinto programa musikaos. O singelo palco do programa Musikaos, da TV Cultura, recebeu manifestações artísticas marginalizadas pela grande mídia e sua obsessiva busca pelo ibope. O programa extreou em 2000 e findou em meados de 2003. Foram produzidos 143 programas que deram voz a diferentes estilos, ritmos e movimentos culturais. Um caldeirão de música, poesia e artes visuais. Além de tudo isso, o programa era apadinhado pelo kaótico Jorge Mautner.





Pelo programa passaram bandas debutantes ou já afamados como Nação Zumbi, Mundo Livre SA, Otto, Mopho, Mestre Ambrósio, Max de Castro, Moska, Arnaldo Antunes, Ratos de Porão, e tantos, mas tantos outros que aquele pequeno palco ficou pequeno demais prá tanta kaos.

Segundo Rogério Brandão, quando resolveram criar o Musikaos, ele e Pedro Vieira sabiam que tinham um Boeing na mão e que vários mísseis viriam em suas direções. "Como nada é fácil na vida, decidimos encarar a missão: vasculhar e trazer à tona nossa cultura marginal. Nosso objetivo é tratar o público e as artes com a devida dignidade, forrando a tela da TV com dança, teatro, artes plásticas, poesia e música. Tudo aquilo que mexe com prazeres sensoriais.

Procuramos levar artistas consagrados em todas as áreas para incentivar os novos talentos. Nosso palco sempre será cedido aos mais ousados e aos inconformados. Não admitimos playback, nem jabá. Nosso tom panfletário é reflexo do fastio com a televisão de baixo calão. Não somos nem temos a pretensão de ser a salvação de porra nenhuma, mas no ponto em que a TV aberta chegou não dava mais para manter os braços cruzados. Que toda tentativa de melhoria na qualidade das programações seja acolhida de braços abertos!"

Pena que acabou por falta de recursos financeiros da emissora. Saudades ternas do programa.

Programa Fabrica do som - tv cultura - 1983

TV CULTURA - 1983 / 1984

O programa FÁBRICA DO SOM, gravado no Teatro Sesc Pompéia, era uma verdadeira mostra permanente da nova ( para aquele momento) música popular brasileira, sem qualquer característica de concurso. O objetivo era promover e incentivar a pesquisa musical divulgando obras inéditas e originais. A apresentação era de TADEU JUNGLE, e fez
sucesso da programação da TV CULTURA, pela sua qualidade e pioneirismo.



O musical apresentou na televisão, pela primeira vez, bandas como Ultraje a Rigor, Paralamas do Sucesso e Titãs, além de abrir espaço, freqüentemente, para outras manifestações artísticas de vanguarda, como a poesia concreta dos irmãos Augusto e Haroldo de Campos. Era dirigido por PEDRO VIEIRA.

Tavinho Paes e sua loucurética


a partenogênese de jesus
é um absurdo herético
antes de ser um dogma
profético

a fissão binária
com sua cissiparidade única
garante que a replicação do DNA
não tem como taxonominar
uma espécie nova
advinda de um corpo
...humano!

deus que me perdoe, mas...
mesmo que as gametas femininas
sejam maiores do que as masculinas
o processo oogâmico da virgem
não seria tão primitivo
quanto o das salamandras

teria são jorge
matado um dragão
...de comodo?

Dias piores virão

POR GUSTAVO LIMA

Ele derramava lágrimas puras, mas seus olhos eróticos faziam da façanha cáustica um dia comum de merda. Merdinha para falar bem a verdade. Verdade sem vergonha para ser bem sincero. Acontece que foi pego de surpresa, no pulo do gato. Ele, gato, em pulo foi pego de salto alto, tão alto que nem suas patas suaves amorteceram a queda, e agora ele chora a falta daquela, que o despreza e nulo projeta o gato mudo. Pensava nela? Talvez, mas hoje não existe passado, nem presente e nem futuro, e pensa nela o dia todo. Para o mundo ele praticou o suicídio, mas enquanto os outros caem em sono profundo ele juntava as peças mágicas do baú de outrora, e cansado do egoísmo ele a leva no bolso esquerdo da camisa, que salta, e salta mais alto que o gato que lambia as suas lágrimas puras. A escrita se resume ao pálido desvanecer-se. Quem diga que é o verso não caiu em desgraça para saber do que fala, e certamente fala em vão já que não vive a paródia da existência humana. Senta e escreve simplesmente. Não há o que comemorar, mas há o que escrever, bestializar, grifar e passadificar bizarramente o burro e inóspito sentido que sobrou das centelhas de uivo que de vez escorrem pelos lábios ao luar. É a corrida da falência social que os corações e mentes suportam em nome de um imaginário ainda mais imaginário que a ilusão, se é que podemos imaginá-lo assim e não o inverso do universo. Os pontos que antes marcavam as coordenadas da rota agora se perdem na gravidade e os mapas já não param na mesa, e flutuando com os recados que ela deixou colados na geladeira vermelha e velha vão desanuviando entre cereais e vergonhas cálidas, solúveis pensamentos destituídos de carinho e substitutos do arpão. Um pescador que nada desejava, virou o lobo que a dias buscava o rumo da neve. Nem London e Dostoiévski poderiam prever que a dita cuja inspiração perderia seu sentido na mesma medida em que seu suor plácido se sexuara com óbvio. Nada como um dia ruim, que pode piorar. E ele vem, à cavalo montado numa nuvem de couro escorregadia que joga todos num chão de pano, curto pano. Escutado era e tudo ficou azul, com sussurros e diagramas bestas que ligavam o nome dela ao meu. No olho eu podia ler “I miss you now”. E o que podia ser pior de fato piorou. Tratou de descolar um tipo, daquele ali do lado jovem idealizado do padrão comunicado. Bichinho faceiro! Agora perambula com o sorriso amarrado na nuca. Nuca mais linda dos mundos ... Dia de merdinhazinhazinha.

VICENTE CECIM

por rogério S.

conheci o vicente cecim nos ternos anos oitenta. finais prá ser mais preciso, algo por volta de 87 por ai. este, por sinal, foi um dos anos mais duros de minha vida: a descoberta da poesia e tudo que nela se esperimenta. aí, de uma biblioteca ou um brecho (confesso que não me recordo precisamente) eu esbarrei desastrosamente (ou estava escrito) com o vicente e sua "viagem a andara".

em verdade, a viagem era um cardápio exposto em forma de letras e retangular, como nós mesmos, à quem quisesse adentrar as matas brutas e escuras de um universo chamado nós mesmos. era uma prosa que, gradualmente, nos fazia adentrar na mata do nosso "eu" constante e esquecido. não existem paradigmas aí não. era isso mesmo. o autor nos fazia vasculhar o nosso "eu" mais preciso e obscuro. me apaixonei pelo livro e me apaixonei pelo "eu" (recorrente) bruto. então tomei coragem e decidi naquele ano que iria escrever. escrever sobre a minha floresta fechada que, naquele momento, eu intitulara meu "mundo mentido". óbvio que o termo foi extraido d'um livro do nietszche... "assim falava zaratustra". mas foi meu mundo mentido sim senhor! e dele jorrara, o que agora, neste momento que escrevo, o embrião para o que fui, o que sou e o que não sei mais.

"viagem a andara" dá sentido, conecção à estes dois mundos que se submergem em nós, o exteriorizado e chato e o que se dilata dentro de nós mesmos e passa imperceptível como o raio de um sol diário.

e eu nem sabia o que era uma viagem!

rogério s.

Fonte das constelações

Sem semear ossos no fim da tarde
e vindo ao encontro dos teus olhos nos Caminhos das espreitas,
eu busco
o segredo luminoso
da
Tua
Água
Soprando as cinzas,
mais humano que o Limo
Este é o Passo de Sombras
Esta é a Noite em que o céu virá beber nosso rumor de terra
Aqui
Eu espero
Como uma Construção erguida para baixo
rio em Silêncio, e serpentes: A Palavra
interminável
mente
DO ABISMO ÀS MONTANHAS
213
calada
mente de Aves Profundas
e um Carrilhão de Luz
soando na Penumbra dos Seus Olhos,
dAquilo que escurece
as manhãs de cinzas
as pedras dos dedos da Oração
quando o mais Alto se ergue
e depõe o Muro Branco das Idades
como Transparência
no deserto Inundado
dos Teus sonhos: Cílio
da Carne,
e Rumor de Bosque Escuro
Curva dos Lábios
que não dizem – Rio
lá, onde
a Água Escura de um Abismo
Via gem a Anda nda ra oO Liv ro Invis ível
214
Aquele que teve os olhos Selados
já não aguarda a Aurora das Virtudes: o Guardião de Sombras

(fragmentos do livro "viagem a andara")

Vicente Franz Cecim é jornalista e escritor. Nasceu em Belém do Pará, Brasil, na Amazônia. Há 25 anos, desde 1979, deu início à criação do não-livro Viagem a Andara, o livro invisível que vai se fazendo dos livros visíveis de Andara que escreve. Andara é região-metáfora da vida, em que o autor transfigura sua Amazônia natal. Sob o título abrangente acima citado, já foram publicados, em diversos volumes: A asa e a serpente/Os animais da terra/Os jardins e a noite/Terra da sombra e do não/Diante de ti só verás o Atlântico/O sereno/As armas submersas (reunidos em volume único (Iluminuras, 1988, São Paulo), com o título Viagem a Andara, o livro invisível e agraciado com o Grande Prêmio da Crítica da APCA-Associação Paulista de Críticos de Arte)/Contando estas histórias para nada/Silencioso como o Paraíso após a expulsão das criaturas humanas/Contando estas histórias para ninguém/Diálogo dos comediantes (reunidos em volume único (Iluminuras, 1994, São Paulo), com o título Silencioso como o Paraíso)/Ó Serdespanto/Música do sangue das estrelas (em volume único (Íman Edições, 2001, Portugal), com o título Ó Serdespanto). Em novas edições (Cejup, 2004) lançou os volumes A asa e a serpente e Terra da sombra e do não, o primeiro contendo os 3 primeiros livros visíveis de Andara e o segundo os 4 livros escritos que a eles se seguiram, em versões finais, revistas e transcriadas pelo autor.

Tem inéditos três novos livros visíveis de Andara, que denomina de Iconescrituras: K O escuro da semente/Breve é a febre da terra e oÓ: Desnutrir a pedra..

Vicente Franz Cecim
andara@nautilus.com.br
vfcecim@hotmail.com
www.culturapara.art.br/vicentececim